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Cândido ou o Optimismo
Voltaire

 

Título:

Cândido ou o Optimismo

Autor:

Voltaire

Ilustrador:

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Editor:

Tinta da China

 

 

 

 

Com a primeira edição datada de 1759 Cândido, ou o Optimismo é uma obra de excelência. Capítulos curtos, pequenas sinopses que os apresentam e resumem a ação, discurso escorreito, detalhado e linear, velocidade na descrição dos acontecimentos e contextos... tudo contribui para uma leitura nada fastidiosa de um clássico do séc. XVIII, ainda para mais assinado por um dos grandes pensadores europeus da época e de sempre. "Cândido" é uma narrativa pícara plena de ironia, sarcasmo e humor, assente num exagero assumido, em que o impossível apenas se torna exequível graças ao fácil manejar da interpelação leitora por parte do escritor e do pacto que com o público consegue estabelecer. Este sujeito desafortunado que se depara com situações violentas em que é roubado, enganado, escravizado e torturado ou vê o mesmo acontecer a outros e outras com quem se cruza é também o mesmo que sucessivamente se salva como que por magia. Sempre surge uma oportunidade oferecida por um autóctone, por um rebelde, pelo amor, pelo lugar, pelo momento. Logo no primeiro capítulo, em que é apresentado o protagonista, o optimismo e a felicidade soam bastante falaciosas, apesar de Cândido e o seu mestre Pangloss o negarem veementemente. Em três pequenos capítulos Cândido é expulso de casa, levado para o exército búlgaro, torturado, recolhido por um anabaptista e finalmente chega a Lisboa a tempo de assistir ao grande Terramoto de 1755. Tudo isto regado com maus tratos, desmaios, dores insuperáveis, notícias trágicas, inesperadas e desconhecidas mãos amigas. Neste ritmo o outrora nobre bastardo da Vestefália vai viajar pelo mundo, travar conhecimento com povos indígenas, comerciantes, mercenários, militares e jesuítas, preservando sempre a mesma desarmante ingenuidade. O final consegue rematar as peripécias com elevação cínica e o leitor chega ao final com a certeza de que o fundo crítico desta novela se revela um paradigma do pensamento iluminista de Voltaire.

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