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Clementine
Roberto Innocenti

 

Título:

Clementine

Autor:

Roberto Innocenti

Ilustrador:

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Editor:

Kalandraka

 

 

 

 

Com detalhadas e realistas ilustrações se traça a história de um navio comercial que não existiu mas poderia ter existido, como é referido na nota final do autor. O texto que acompanha as pranchas pauta-se pela extrema contenção, permitindo espaço para que seja a imagem a dar ao leitor as referências para melhor imaginar a vida do comandante, outrora marinheiro, a bordo daquele barco que acompanhou, desde a sua construção no cais, ao momento em que se afunda. É aliás esse o momento inicial da narrativa que assim, pelo menos aparentemente, logo revela o seu final. Isso significa, porém, que o mais estimulante responde ao 'como' e ao 'porquê' e não ao 'e depois'. Como também é comum no universo de Innocenti, a guerra assume um momento da narrativa, requisitando o navio para uma função que não lhe é natural, devolvendo-o posteriormente à sua vida, como acontece com as pessoas. O interlúdio fatídico parece reforçar a condição quase humana da embarcação através deste paralelo. Ainda, o discurso do narrador associa claramente a vida de ambos, a passagem do tempo, as descobertas e as rotas numa lógica melancólica e poética. O álbum esclarece depois da narrativa alguns dados históricos acerca da estrutura do barco e das rotas que este tipo de embarcações cumpria. Estas informações legitimam "Clementine" enquanto representação fidedigna de uma história, dotando-a de uma dimensão subjectiva, biográfica e afectiva.

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