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Inês e eu
D.H. Machado

Inês e eu

 

Título:

Inês e eu

Autor:

D.H. Machado

Ilustrador:

LigeiramenteCanhoto

Editor:

The Poets and Dragons Society

 

 

 

 

Se há amores que são eternos, o de Pedro e Inês é um deles. Se há amores que ficam no nosso coração, “Inês e eu” é um deles. Falamos de um livro de poesia, surpreendente e perturbador de corações sensíveis. Nele, D. H. Machado oscila entre poesia e prosa poética para nos oferecer uma nova leitura do amor de Pedro e Inês, um amor narrado pela voz de Pedro ao longo de três capítulos, três estados de alma de Pedro face ao seu amor.
D.H. Machado pauta-se por regras próprias, distantes da métrica regular ou de qualquer esquema rimático. Escreve onde a pontuação inexistente nos dá a liberdade de degustar a delicadeza de cada palavra, de sentir a simplicidade de cada som, deixando-nos perder em sumptuosas vagas de paixão.
O ritmo é marcado pela repetição lexical. As rimas despertam, no leitor, sentimentos de afecto, de sensualidade e até de algum erotismo, marcando a contemporaneidade da poesia. Nós, leitores, somos convidados a reflectir sobre as categorias da estética corporal e do próprio conceito de amor, onde a vida e a morte comungam. A repetição intencional da palavra “corpo” possibilita-nos recordar alguns filósofos que pensaram o corpo, tais como Platão, Descartes, Espinosa, Deuleze ou Foucault, entre outros. Palavras. Talvez seja o segundo vocábulo com mais presença neste livro de poesia. Que palavras são estas? São palavras que rompem o silêncio para serem sussurradas no leito do amor. Com as palavras sentimos, amamos, desejamos, prometemos, quebramos e reparamos corações.

O sabor das palavras não vem no dicionário, mas as palavras têm sabor. Algumas são como a seda – suaves. Deslizam com suavidade pelo corpo. Outras são melancólicas, guardando na memória os momentos únicos, vividos pelos amantes. Há palavras de sabor amargo, ácido. Há palavras para rasgar, outras para apagar. Mas, no coração, só há lugar para as palavras que nos abrigam. D.H. Machado, o autor de “Inês e eu”, partilha connosco palavras de abrigo. Palavras de beleza, de prazer, de desejo, as palavras do mais belo amor. Palavras do amor proibido. Palavras do corpo.

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