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O evangelho das enguias
Patrick Svensson

 

Título:

O evangelho das enguias

Autor:

Patrick Svensson

Ilustrador:

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Editor:

Objectiva

 

 

 

 

Que livro é este? Biográfico? Ensaio? Científico? Se fosse um livro científico esclarecia-nos sobre os múltiplos mistérios da enguia: “É um peixe ou algo completamente diferente? Como se reproduz? Põe ovos ou dá à luz crias vivas? É uma criatura sem sexo? É uma criatura com dois sexos? Onde nasce e onde morre?” Algumas destas questões são elucidadas, mas não é um livro científico.

Patrik Svensson tranquiliza os mais curiosos apresentando os estudos de Aristóteles, o interesse do jovem Freud por resolver o enigma da sexualidade da enguia – “ não há testículos de enguia que se queiram deixar apanhar, e Freud fica cada vez mais frustrado”, do zoólogo Carl H. Eigenmann ou do famoso biólogo dinamarquês, Johannes Schmidt que foi “apanhado pela questão da enguia, pelo grande mistério de onde a enguia europeia se reproduz, como nasce e como morre. A meu ver, escreveu ele, a história de vida da enguia, em toda a sua peculiaridade, não é superada por mais nenhuma espécie do reino animal.” Contudo, o substancial do livro está para além da classificação do género literário, das investigações realizadas e dos segredos desvendados. Metamorfose – é o conceito que ilumina o gosto desta leitura.

Este é livro sobre a vida. A misteriosa história da enguia cruza-se com a história de vida de Patrik Svensson e ao longo de dezoito capítulos, numa escrita sedutora e reflexiva, o autor de O Evangelho das Enguias, evoca a sua vida. A juventude, os silêncios, a cumplicidade partilhada com o pai, durante a pescaria - “ foi o meu pai que me ensinou a pescar enguia, no ribeiro que corria ao longo dos campos, junto ao que antigamente fora a sua casa de infância ” - é o ponto de partida para o questionando sobre os enigmas do nascimento, da reprodução, do amor e da morte. Da memória. Mas também dos lugares que povoam e marcam a nossa existência.

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