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O mundo em que vivi
Ilse Losa

 

Título:

O mundo em que vivi

Autor:

Ilse Losa

Ilustrador:

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Editor:

Afrontamento

 

 

 

 

Limitar esta narrativa a um tema como o do contexto socio-político das comunidades judaicas no dealbar e afirmação do nazismo é curto. Por outro lado, se tivermos em atenção o interesse do leitor adolescente por novelas passadas durante a 2ª Guerra Mundial, como especial enfoque no Holocausto, a abordagem de Ilse Losa ganha um peso excepcional. Rose, a protagonista e narradora vai relatando, em pequenos capítulos que revelam episódios do quotidiano, a sua percepção do mundo, a sua relação com os rituais, a moral e a cultura religiosa judaica, os juízos afetivos que se desenvolvem em múltiplas direcções relativamente aos elementos basilares da família e a todos os outros, entre ausentes, irremediavelmente perdidos para a morte ou intermitentes no ninho familiar. É aliás esta estrutura diegética que oferece ao leitor uma amplitude muito maior sobre a história e a vida da menina que cresce ao longo da narrativa e se depara, inicialmente, com a violenta frustração de uma boneca que lhe é prometida e negada para, muitas páginas à frente, se confrontar com um nível de injustiça e uma impotência bem maiores.

O que muitas vezes falta ao leitor para conseguir aceder aos meandros do símbolo é oferecido de bandeja na escrita límpida, escorreita e descritiva de Ilse Losa. Qualquer um, mesmo sem contexto prévio, entra sem dificuldade no espaço físico e emocional de Rose. Todavia, a multiplicidade de vocábulos que remetem para os quadros descritivos podem, inversamente, transtornar essa relação desassombrada com a personagem e os seus testemunhos. Correndo esse risco, não há razão para fugir ou contornar um texto de qualidade literária inequívoca, cujo cuidado semântico e sintático lhe conferem uma poeticidade visual e um ritmo cadenciado. Ali as emoções pululam, ora em esgares espontâneos, ora em contenção forçada. O que a história de Rose traz ao leitor, nomeadamente ao que se deleita com as narrativas sobre a 2ª Guerra Mundial, é contexto e profundidade. Mas sobretudo traz densidade psicológica e vida numa prosa de especial elegância e profundidade.

Palavras-chave: Biografia, Família, Afetos, Judaísmo, Nazismo

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