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O Princípio de Karenina
Afonso Cruz

O Princípio de Karenina

 

Título:

O Princípio de Karenina 

Autor:

Afonso Cruz

Ilustrador:

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Editor:

Companhia das Letras

O Princípio de Karenina relata-nos a carta escrita por um homem à filha que não conheceu, narrando-lhe a sua vida desde a infância. A narrativa começa no seio familiar, onde o protagonista evidencia a forma como o seu pai revelava o pânico visceral face ao mundo desconhecido. Uma aversão ao estrangeiro, ao desconhecido, um medo de que alguma coisa pudesse ameaçar a segurança ou a vida de alguém – a sua própria vida. Um pai que “era um afasta-tudo, enquanto o amor é o contrário disso”. No entanto, onde reina o medo e os preconceitos também habita o amor – “a pessoa que mais amava naquela casa também A minha mãe“. A mãe que lhe acaricia o pé deformado, como quem lambe feridas e incita uma perfeição que não existe. A mãe: símbolo do feminino, do afeto e da conciliação.
Um dia, o seu pai morre. Desprevenido. A casa é inundada com um cheiro que, mais tarde, trará a mudança.
A Fernanda da Farmácia foi a descoberta do “coração aos pulos”, dos “arrepios pelo corpo, os lábios cada vez mais perto, uma eternidade mais perto, os pêlos dos braços eriçados“, mas também do desalento. Habituou-se à sua presença serena, amiga da mãe, uma sombra presente para recordar os votos feitos no dia do casamento.
A grande mudança da sua vida dá-se com a chegada da nova empregada. A verdadeira paixão é sentida como nunca.
Princípio de Karenina nasce de cruzamentos de geografias, identidades, encontros e desencontros, de uma “viagem ao Vietname e ao Camboja“ com o objetivo de “encontrar vestígios de nós próprios pelo mundo”. É um “encontro de ingredientes de várias proveniências”, que são simultaneamente “remédio e alimento”, tal como os poderes milagrosos da curcuma, que cura “todas as maleitas” e “tingiu a minha vida toda. Não saíra com os anos”.
É a narrativa de um menino que cresce e se torna homem. Uma história da procura de si mesmo, da felicidade. Uma história intimista, de arrependimento, desilusão e obsessão, onde os momentos fugazes são valiosos para a felicidade. Afinal, o que é isso de ser feliz?

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