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Um prego no coração ; Natureza morta ; Vício
Paulo José Miranda

 

Título:

Um prego no coração ; Natureza morta ; Vício

Autor:

Paulo José Miranda

Ilustrador:

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Editor:

Abysmo

 

 

 

 

Três textos distintos, escritos em momentos diferentes, mas que poderão ser lidos como uma trilogia que nos fala sobre o século XIX português, sobre escritores e pensadores, artistas, criação artística e que nos induz a uma reflexão sobre a vida e amor, a felicidade e a tristeza.
Um Prego no Coração é uma carta de 1880 escrita por Tiago da Silva Pereira, contemporâneo imaginário de Cesário Verde, “ acerca de quase tudo, e quase nada acerca de O Sentimento dum Ocidental” considerado por muitos como o poema de excelência de Cesário Verde. Poema longo, dividido em quatro partes e dedicado ao seu amigo Guerra Junqueiro, às sensações e inquietudes de olhar Lisboa ao anoitecer.
Natureza Morta é um magnífico texto sobre a apaixonante história de João Domingos Bomtempo, figura proeminente da História da Música em Portugal, pianista, comparado a “Camões do piano, dos violinos e dos oboés, para quando uma ópera ou sinfonia, uns Lusíadas”, inovador enquanto criador e intérprete. Em Vício o poeta-filósofo Antero de Quental, homem amargurado e sem esperança, regressa à cidade natal, Ponta Delgada, após três dias de viagem, este regresso era “ acima de tudo a total recusa da literatura, da filosofia e da poesia. A recusa das Letras e das Artes. Porque um homem não pode escrever para sempre. Os seus últimos anis de vida deverão estar ausentes de qualquer criação do espírito”. Num diálogo introspetivo assume as letras como o seu vício “ tão medonho quanto o jogo. Ler é já perder-se”. A releitura de O Primo Basílio, a análise de excertos, é pretexto de “ mostrar a alma humana na sua dificuldade em existir.”
Vício é um regresso a casa, um regresso a si próprio, um exercício de memória, uma espécie de balanço de vida, nunca esquecendo o vício da leitura, propondo de forma inconsciente um percurso interpretativo de algumas leitura, de alguns autores, mas sobretudo o prazer escrita e da língua. Um texto literário, mas essencialmente filosófico.

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