Visão
Visão
Um futuro onde todos os portugueses possuam os hábitos de leitura e as competências de literacia indispensáveis à sua vida pessoal, escolar, profissional e ao progresso económico, social e cultural do país.

Num país como Portugal, marcado até aos nossos dias por graves problemas de analfabetismo e iliteracia, a criação de uma política pública visando a promoção dos níveis e competências de leitura constituiu indubitavelmente um marco, que os resultados alcançados e a prosseguir certamente registarão.
Com um passado histórico adverso, em que os hábitos e as competências leitoras não fizeram o seu caminho e as bases sociais da leitura só fragilmente se sedimentaram, torna-se ainda mais difícil lidar com os desafios da literacia, hoje multimodal, obrigando, devido à sua acrescida complexidade, a muito maiores capacidades de descodificação, compreensão e sentido crítico.
Saber ler implica atualmente saber ler bem, com fluência, em todos os suportes e formatos e, daí, a importância vital de uma política inovadora e capaz de impulsionar o acesso crítico e competente à leitura, à informação e ao conhecimento, condição do desenvolvimento do próprio país e de uma cidadania, que se exige mais livre, consciente e esclarecida.
Não é uma tarefa fácil. A superabundância de informação inunda-nos diariamente, dispersa, variada e em crescimento incessante; as tecnologias são cada vez mais inteligentes, fazendo crescer ininterruptamente à nossa volta a economia do conhecimento; os equipamentos móveis colocam-nos em contacto instantâneo e permanente com os media e os mundos do trabalho, da educação e do lazer, convertendo-se no epicentro das nossas vidas digitais; as redes sociais e de cooperação ligam as pessoas em comunidades locais e globais; a participação facilitada promove o envolvimento, a iniciativa e a cidadania digital.
Somos, como designa Castells, uma sociedade em rede, mas para esta seja bem-sucedida e resista às ameaças da barbárie, é preciso que os sistemas políticos acompanhem este movimento, o incorporem nas suas políticas e respondam aos seus desafios.
Vivemos um excesso de informação criada e veiculada por meios diversificados e cada vez mais poderosos. Neste contexto, necessário se torna promover uma “Educação para a leitura” que esteja consciente e alerte para os perigos do mau acesso à informação e de uma informação sem critério; saiba adequar necessidades e práticas, ajustando as ofertas e as iniciativas; e ajude o leitor a selecionar e optar por conteúdos adaptados ao seu desenvolvimento, interesses e necessidades pessoais.
O PNL2027 enquadra-se neste contexto, constituindo a resposta a este conjunto de preocupações e objetivos: contribuir para tornar os portugueses mais letrados, competentes e preparados para lidarem de forma crítica, coesa e eficaz com o mundo que os rodeia, neste século XXI, presente e futuro.