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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro aguarela

 

Atrito


Atrito (abysmo, 2019) de André Carrilho fala-nos de viagens, paisagens e de situações familiares, íntimas como a gravidez, o parto e o nascimento dos filhos.

O autor e ilustrador diz-nos que “ todos os desenhos deste livro foram feitos presencialmente no local que retratam, à mão, com canetas, tintas acrilicas, grafite solúvel e aguarelas. (…) Em contrapartida, os textos são registos a posteriori de eventos, situações e reflexões cuja tradução em desenho seria demasiado morosa e despropositada no contexto em que foram vividos.”

Nas páginas de Atrito revemos as paisagens, quase sempre despovoadas, de Londres, Paris, Nova Iorque, Óbidos, Macau, Porto, Hong-Kong, Viseu e Ciudad Rodrigo.

 

ÓbidosÓbidos, 2017


Ponte Millennium
Ponte Millennium, Londres, Reino Unido, 2014


Jardim da Boavista
Jardim da Boavista, Porto, 2014


Times Square
Times Square, Nova Iorque, EUA, 2014


“Num Shuttle que percorre lentamete  o viaduto   de acesso ao  Lincoln Tunnel, tentando sair de New Jersey  no meio de um transito impossível, passando por um buraco de agulha que engole autocarros salpicados de bandeirinhas ameicanas, adormeço. Mas ao sair do outro lado do que parece uma descida interminável às profundezas de uma lenta corrente de motores e gasolina e pneus e luzes e vidros foscos, emergindo para a luz do centro de Manhattan, ouço sempre as primeiras notas de uma música de Gershwin.”

 André Carrilho

Nascido em Lisboa em 1974, André Carrilho começou aos 18 anos a afirmar-se como um dos maiores nomes da ilustração em Portugal, com uma atividade diversificada na caricatura, no cartoon, na animação. 

Tem participado em exposições coletivas e individuais em Portugal, Espanha, Brasil, França, República Checa, China e EUA. O seu trabalho é publicado no New York Times, The New Yorker, Vanity Fair, Harper's Magazine e Diário de Notícias, entre outros.

Galardoado com mais de 30 prémios nacionais e internacionais. Em 2015, um dos seus cartoons sobre a epidemia do ébola tornou-se viral, tendo sido vencedor do Grande Prémio no World Press Cartoon. Nesse ano foi convidado a conceber um mural de caricaturas para decorar a famosa festa dos Oscars da revista Vanity Fair.

Conheça o seu portefólio.

 

 

 

“(…) Mas se a memória é necessário à noção de identidade, tem de transcender o que simplesmente possuímos. E aqui está o equilibrio dificil de manter. A tecnologia liberta-nos de algumas posses materiais, e bem, mas tira-nos o sentimento de afecto que vem do manuseamento e da convivência com as coisas que representam o que é e foi importante para nós. A fotografia que  tinha de ser enquadrada e revelada  em papel, passada de mão em mão, o livro  com as margens  roçadas, os números de telefone que tínhamos de memorizar, os vinis que tinham de ser cuidadosamente tirados da sua gigantesca capa de papel. As capas de CD com o plástico partido.

A proximidade com objetos  do passado encurta o tempo que passou e dilata o que vai passar. Lembra-nos que combater o esquecimento é um batalha que vale a pena travar, mesmo que seja para perder. Como na gaveta em que guardo os telemóveis que já usei. “

 

Ana Sousa Dias entrevista André Carrilho a propósito do lançamento de Atrito. Ouça aqui a entrevista na íntegra. 


Atrito reúne cerca de uma centena de desenhos de viagens, umas mais geográficas, outras mais emocionais e vinculadas à experiência da paternidade. Leia a entrevista que André Carrilho deu à revista Ponto Final.

 

Os livros de André Carrilho

Marquesa de Alorna: Querida Leonor Déjà-vu O chapéu de porta de Fernando Pessoa A menina com os olhos ocupados

             Inércia Atrito