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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro de amor

 

O velho que lia romances de amor

“- Sabes ler? – Perguntou-lhe.
- Não me lembro.
- Vamos ver. Que diz aqui?
Desconfiado, aproximou a cara do papel que lhe estendiam e assombrou-se por ser capaz de decifrar os sinais escuros.
- O se-nhor-senhor- can-di-da-to-candidato.
- Sabes? Tens direito de voto.
- Direito de quê?
- De voto. No sufrágio universal e secreto. De escolher democraticamente entre os candidatos que aspiram à primeira magistratura. Estas a perceber?
- Nem uma palavra. Quanto é que me custa esse direito?
- Nada, homem. Por isso é que é um direito.
  (…)
Sabia ler.
Foi a descoberta mais importante de toda a sua vida. Sabia ler. Mas não tinha que ler.”

 

Luís Sepúlveda

 

Luís Sepúlveda era amigo de Chico Mendes, um símbolo da defesa da Amazónia e foi a ele que dedicou O Velho Que Lia Romances de Amor, obra que lhe valeu reconhecimento internacional, saiba tudo aqui.

 

“O romance começava bem.
“Paul beijou-a ardorosamente enquanto o gondoleiro, cúmplice das aventuras do amigo, fingia olhar noutra direcção e a gôndola, equipada com macios coxins, deslizava tranquilamente pelos canais venezianos.”
Leu a passagem várias vezes em voz alta.
(…)
Beijar ardorosamente. Beijar. Só agora descobria que o fizera muito poucas vezes e apenas com a mulher, porque entre os xuar o beijo era um costume desconhecido.”

 

 

“Uma tarde, estava ele a retouçar com Josefina, uma esmeraldina, de pele brilhante como a de um tambor, quando viu um lote de livros arrumados em cima da cómoda.
- Tu lês? – Perguntou.
- Leio. Mas devagarinho – respondeu a mulher.
- E quais são os livros que gostas mais?
- Os romances de amor – respondeu Josefina, acrescentando os mesmos gostos de António José Bolívar. A partir dessa tarde Josefina foi alternando os seus deveres de dama de companhia com os de crítico literário e, de seis em seis meses, selecionava com dois romances que, na sua opinião, proporcionavam maiores sentimentos, os mesmos que mais tarde António José Bolívar Proaño lia na solidão da sua choça do rio Nangaritza.”

 

O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda, já vendeu 18 milhões de exemplares, segundo números do autor – leia aqui.

O livro deu lugar ao filme O velho que lia romances de amor, realização de Rolf de Heer e interpretação de Richard Dreyfuss.

  

 

 

“Como são os livros de amor?
Disso receio não poder falar. Não li mais que um ou dois.
- Não interessa. Como são?
- Bem, contam a história de duas pessoas que se conhecem, se amam e lutam por vencer as dificuldades que as impedem de ser felizes.“


 

Entrevista exclusiva a Luís Sepúlveda à Wook.

 

Um escritor dedicado "às histórias dos pequenos e derrotados". 

 

 

Luís Sepúlveda morre aos 70 anos – uma homenagem da Rádio Renascença e da Porto Editora.

 

Sugestões de  outros  livros  do autor

 História de uma baleia branca    História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar    Patagónia Express 

 O fim da história    Todas as fábulas   As rosas de Atacama 

 História de uma gato e de um rato que se tornaram amigos    O Velho que lia romances de amor   Diário de um killer sentimental