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Um Bailarino na Batalha
Hélia Correia
Com uma escrita alegórica, marcadamente simbólica, a novela representa uma reflexão sobre o mito da terra prometida. Um conjunto de migrantes foge da guerra e atrocidades. Famintos, desolados, desumanizados, mas retendo ainda resquícios reconhecíveis da sua civilização (modos de trajar, códigos de honra, a clivagem entre homens e as mulheres, estas revelando um estatuto de submissão e inferioridade) deslocam-se atravessando o deserto (literal, mas que se mescla, no entanto, de vincado cunho metafórico), em direcção a um mar que os faça chegar à Europa. Um velho cego, um homem sem braço, desprezado do grupo, por traidor, uma criança visionária, uma mulher-fera são algumas personagens-símbolo deste povo («Tinham pátria?Tinham pelo menos povo», escreve-se a dado momento.») cercado, sitiado, a reinventar-se nos escombros. «Um Bailarino na Batalha» é um livro que questiona profundamente as feridas do confronto mundo ocidental- médio oriente, sem cair em facilitismos, simplificações ou imediatismos. |
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