Um livro por semana
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Um livro para amantes de livros
22.agosto.2020

 

Livrarias

 

“A história das livrarias (…) só pode ser relatada a partir do álbum de postais e de fotografias, do mapa situacionista, da ponte provisória entre os estabelecimentos desaparecidos e os que ainda existem, de certos fragmentos literários, do ensaio. (…) as livrarias especializadas em viagens que constituem, em si mesmas, um paradoxo, porque todas as livrarias são convites à viagem, elas próprias viagens. Mas estas são diferentes. A sua raridade é marcada pela palavra especializada. Como as livrarias infantis, as lojas de banda desenhada, os alfarrabistas, as lojas de rare books. A sua especialização observa-se desde a própria divisão do espaço: em vez de segmentá-lo por géneros, línguas ou disciplinas académicas, organizam-se por áreas geográficas. (…) As livrarias de viagens são as únicas nas quais a cartografia tem o mesmo protagonismo que o verso e a prosa.”

 

Foyles - Londres

 Foyles Charing Cross Rd Bookstore – Londres

 

Livrarias (Quetzal, 2017) é um misto de ensaio, guia e crónica, onde Jorge Carrión conta as histórias de espaços incríveis – as Livrarias – e nos apresenta muitos livros, autores e histórias de leitores.

 

Em 2017, a apresentação do livro Livrarias decorreu em Lisboa, na livraria Ler Devagar. Veja aqui.

 

 

 

Jorge Carrión nasceu em Tarragona, em 1976. É doutorado em Humanidades pela Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, onde atualmente leciona literatura contemporânea e escrita criativa. Escreve regularmente para jornais espanhóis e latino-americanos como o El País, ABC, La Vanguardia, Clarín e Arcadia.

 

 

“Na Shakespeare and Company alojaram-se, ao longo de 60 anos, umas cem mil pessoas em troca de umas horas de trabalho na livraria e de se dedicarem à escrita e à leitura, porque o livro novo convive com o usado, e a presença de sofás e de cadeirões convida ao uso do edifício como se tratasse de uma grande biblioteca.“

 

 

“Uma livraria não só tem de ser antiga como deve parecê-lo. Quando entramos na Livraria Bertrand, no n.º73 da Rua Garrett, em Lisboa, a poucos passos do café A Brasileira e da sua estátua de Fernando Pessoa e, por conseguinte, em pleno coração do Chiado, o “B” sobre o fundo encarnado do logótipo exibe orgulhosamente um número 1732. Na primeira sala tudo aponta para esse passado venerável patente na data: a vitrina de livros em destaque; as escadas deslizantes ou o banco-escadote que permite aceder às prateleiras mais altas de umas estantes vetustas, a placa enferrujada que batiza como “ A sala Aquilino Ribeiro” o lugar onde nos encontramos em homenagem a um dos seis mais ilustres clientes, tão assíduo como Oliveira Martins, Eça de Queirós, Antero de Quental ou José Cardoso Pires e, sobretudo, o diploma do Guinness World Records, que certifica a sua condição de livraria no ativo mais antiga do mundo.”

 

 

“A livraria Leonardo da Vinci, no Rio de Janeiro, deve ser a mais poetizada do mundo. Márcio Catunda dedicou-lhe o poema “A Livraria”, no qual descreve a paisagem que leva até às suas entranhas no subsolo do Edificio Marquês do Herval, essas montras raivosamente iluminadas  para criar dias artificiais. (…) Vanna enfrentou as maiores adversidades da história  do negócio e superou-as: as recessões economicas, a longa ditadura militar e o incendio que, em 1973, destruiu a loja por inteiro.  O seu amigo Carlos Drummond de Andrade escreveu: “ A loja subterrânea / expõe os seus tesouros / como se os defendesse/ de fomes apressadas.”

“(…)na mesma cidade de Buenos Aires, a Eterna Cadencia é  uma livraria melhor, e provavelmente também  mais bela do que a Ateneo Grand Splendid.”

 

 

 

 

 

Livraria Dante & Decartes - Nápoles

 Livraria Dante & Descartes, em Nápoles

 

 Livraria Tattered Cover - Denver

Livraria Tattered Cover, em Denver

 

O epílogo de Livrarias fala-nos das metamorfoses dos espaços das livrarias, das novas formas de ler e das livrarias virtuais.

Quase dois milénios mais tarde, o lento trânsito entre a leitura em papel e a leitura digital atualiza estes debates periódicos. (…) A nossa maneira de ler, indissociável dos ecrãs e dos teclados, seria a intensificação, após centenas de anos de textualidades multiplicadas e cada vez mais aceleradas, em plataformas de informação e de conhecimento progressivamente audiovisuais, dessa extensão com implicações políticas. Perder a capacidade de concentração num único texto implica espetro luminoso, distância irónica e critica, capacidade de relação e de interpretação de fenómenos simultâneos. Significa, portanto, emancipar-se das autoridades que constrangem as leituras, dessacralizar uma atividade que, neste estádio da evolução humana, já devia ser quase natural: ler é como caminhar, como respirar, qualquer coisa que fazemos sem necessidade de pensar primeiro.

(…)

A maior parte das livrarias de que falo neste livro, em cujo circuito internacional me inseri como turista e como viajante, cultivam uma ficção de classe à qual cada vez mais milhões de seres humanos têm – felizmente – acesso, mas que continua a ser minoritária.”

 

Pensar a cultura a partir das livrarias - é um artigo de José Riço Direitinho, no Jornal Expresso, sobre Livrarias de Jorge Carrión.

 

Livrarias Portuguesas – Espaços onde apetece ler - conheça-as no portal do PNL2027.

 

 Livros do Livrarias…

Mendel dos livros Ficções Livro do Desassossego O jogo do mundo

Fahrenheit 451 O cão dos Baskerville Trópico de Câncer O livro da selva

Cidade aberta Os detetives selvagens A sombra do vento As flores do mal

  

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