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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro para pensar a consciência.
23.janeiro.2021

 

Sentir & Saber

 

“Por que razão tantos filósofos e cientistas escrevem hoje em dia sobre a consciência? (…) A importância da consciência deriva daquilo que traz diretamente à mente humana e daquilo que permite que essa mente venha a descobrir. A consciência faz com que as experiências mentais sejam possíveis, desde o prazer à dor, a par de tudo o que aprendemos, memorizamos, recordamos e manipulamos à medida que descrevemos tanto o mundo que nos rodeia  como o mundo interior, no processo de observar, pensar e raciocionar. Se eliminássemos a componente  consciente dos nossos  estados mentais, o leitor e eu  continuaríamos a ter imagens a fluir-nos pela mente, embora essas imagens não nos estivessem associadas enquanto indivíduos singulares. As imagens não seriam minhas,nem suas, nem de mais ninguém. Fluiriam à deriva e ninguém poderia saber quem pertenceriam.

Sem cosnciencia, nada se pode saber. A cosnciência foi indispensável para a ascensão das culturas humanas e mudou o rumo da história  humana.“


Sentir & Saber  - A Caminho da Consciência -  (Temas e Debates, 2020)  é o último livro de António Damásio, um dos mais eminentes neurocientistas do mundo. Um livro dedicado à investigação do fenómeno da consciência.

 

 António Damásio, médico e neurocientista português, fala sobre sua formação e sobre como considera os estudos clássicos importantes para a compreensão do comportamento humano. Segundo Damásio, a história da humanidade e o avanço da neurociência andam de mãos dadas assim como razão e emoção. Não é possível dissociar ou escolher apenas um caminho. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2013.

 

 

“(…)a noção de Consciência Alargada, um conceito que introduzi quando comecei a estudar o problema e que, à época, me pareceu correto e útil. A  designação “Alargada” aplicava-se àquilo que eu via como sendo a grande variedade de esclas da consciência, capazes  de abarcarem a experiência de ler Proust, Tolstói e Thomas Mann ou de escutar a Quinta Sinfonia de Mahler: larga e ampla, alta e grande, rica e vasta, contendo multitudes de humanidade e os seus respetivos habitat, indo beber ao passado que gravámos  na memória e utilizando reservas de conhecimento  para construir  de forma criadora, e nos projetar no futuro possível.

A meu ver, o problema que hoje reconheço é que eu deveria ter falado sobre Mente Alargada e não sobre Consciência Alargada. O mecanismo fundamental através  do qual as imagens ganham consciência continua a ser o mesmo, quer o dispositivo  seja aplicado a um milhão de imagens ou apenas a uma. Aquilo que muda é a escala e a capacidade da nossa mente. Essa, sim, varia de acordo com a quantidade de materiais  que recordamos e com os quais estamos a trabalhar, e  com as forças da atenção que são chamadas a intervir quando  extensoso panoramas de acontecimentos  reais, de música, literatura, pintura ou cinema são abrangidos mentalmente e feitos nossos, ou seja, tornados conscientes.”

 

 António Damásio

 

"Há três palavras mágicas para o que vivemos: tragédia, incerteza e esperança" – afirma António Damásio. Leia a entrevista completa.

 

 

António Damásio

 

“António Damásio é professor da cátedra David Dornsife de Neurociência, Psicologia e Filosofia, e diretor do Brain and Creativity Institute na University of Southern California, em Los Angeles. Neurologista e neurocientista, Damásio tem dado contributos fundamentais para a compreensão dos processos cerebrais subjacentes às emoções, aos sentimentos e à consciência.

O seu trabalho sobre o papel do afeto na tomada de decisões teve um impacte profundo na neurociência, psicologia e filosofia. É membro da National Academy of Medicine, American Academy of Arts and Sciences e da Bavarian Academy of Sciences. Recebeu a Medalha Freud [2017] e foi distinguido com numerosos prémios, entre os quais o Prémio Grawemeyer [2014] e o Prémio Honda [2010], o Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica [2005], e os prémios Nonino [2003], Signoret [2004] e Pessoa [1992].

Descreveu a sua investigação e as suas ideias em diversos livros, entre os quais O Erro de Descartes [1995], O Sentimento de Si [2000], Ao Encontro de Espinosa [2003], O Livro da Consciência [2010] e A Estranha Ordem das Coisas [2017], que estão traduzidos em mais de trinta línguas e são ensinados em universidades de todo o mundo.” (in Temas e Debates).

 

 

 

“Poder-se-ia imaginar que os pioneiros da IA [inteligência artificial] e da robótica tivessem procurado inspiração em seres como nós – eficientes e expeditos, mas também plenos de sentimento acerca de tudo aquilo em que somos eficientes, alegres e mesmo extasiados com o que fazemos (e com o que nos fazem), mas também frustrados e tristes e até  em sofrimento quando a ocasião assim o exige.
Contudo, os brilhantes pioneiros optaram por uma abordagem prática e concisa e foram direitos ao problema: tentaram emular aquilo que consideravam  ser o mais essencial e útil – chamemos-lhe a “inteligência simples” – e omitiram o que terão, porventura, considerado supérfluo ou até incoveniente: os sentimentos.

 

 

A vida dos sentimentos – é o nome da entrevista de António Damásio ao Jornal Expresso, um texto de Clara Ferreira Alves.

 

 

A propósito da importancia da consciência, recordamos um trecho da entrevista de António Damásio à SIC acerca de seu livro ¨O livro da consciência¨ (António Damásio, 2010).

 

 

  

Livros de António Damásio

 O sentimento de si     A estranha ordem das coisas     O livro da consciência 

 O erro de Descartes     Ao encontro de Espinosa     Sentir & Saber

 

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