Um livro por semana
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Um livro para ir ao teatro
27.março.2021

 

Vou ao teatro ver o mundo

 

Ir: Porquê?

 

“Sim, porquê ir ao teatro? É certamente a questão que se coloca ao Martinho. Como vimos, a resposta « para nos divertirmos» é insuficiente. Etimologicamente – muitas vezes, a etimologia de uma palavra, de uma noção dá-nos pistas interessantes -, teatro significa « o lugar de onde se vê». Podemos então imaginar que vamos ao teatro para ver. Mas para ver o quê, Martinho?
- Para ver…  o mundo.
- Muito bem! É isso, para ver o mundo.  ( …) Para  ver que mundo? Ou antes, o mundo sob que forma?
(…)
Vamos ao teatro ver as ações dos homens e das mulheres que, 6gvemovidos pelas suas paixões e interesses singulares, entram em conflito uns com os outros. Na peça Antígona , de Sófocles, a heroína que dá o nome à tragédia quer a todo o custo enterrar o irmão, Polinices, que acabara de morrer; mas Creonte, o tio,que é o chefe da Cidade, proíbe-a de o fazer, acusando Polinices de traição. Antígona  não faz caso e é condenada e emparedada viva. Tão inflexível  quanto a sua sobrinha, Creonte  vê a infelicidade desabar sobre si próprio : o seu filho, Hémon, apaixonado por Antígona, e a sua própria esposa, Eurídice, suicidam-se.“

In Vou ao Teatro Ver o Mundo (2016), editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda | Teatro Nacional de São João.

 

 

 

 

"Vou ao Teatro Ver o Mundo é um livro para os jovens, mas que os adultos devem ler” afirmou Jean-Pierre Sarrazac.

 

Vou ao Teatro Ver o Mundo «propõe-nos um diálogo imaginário entre Martinho, um adolescente que vai assistir pela primeira vez a uma representação teatral, e Jean-Pierre Sarrazac, ensaísta e dramaturgo francês que o conduz numa viagem pelas ideias políticas, estéticas e filosóficas que marcaram a história do teatro. Um caminho exigente percorrido com alegria, na companhia de autores clássicos e contemporâneos, filósofos e artistas, Platão e Beckett.  O que é o teatro, e como se faz? Porquê ir ao teatro? Este jogo das perguntas resulta numa espécie de iniciação à mais nobre e estimulante das artes: a arte de ser espectador. Vamos ao teatro ver o mundo? Sim, mas vamos também para o interpretar e talvez mesmo para o refazer, pelo menos em imaginação.»

In Vou ao Teatro Ver o Mundo (2016), editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda | Teatro Nacional de São João. 

 

   

Jean-Pierre Sarrazac

 

 

“Jean-Pierre Sarrazac  é ensaísta, dramaturgo e encenador. Nasceu  nos arredores de Paris, em Ermont Eaubonne, em 1946. Professor emérito de Dramaturgia, na Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Professor convidado na Universidade de Louvain-la-Neuve. Autor de inúmeros livros de reflexão  sobre o teatro, de que destacamos L´Avenir du drame ( livro que o TNSJ publicou em 2002, e Poétique du drame  moderne : De Henrik Ibsen à Bernard-Marie Koltès  (Seuil, 2012). Escreveu cerca de uma vintena de peças, a última das quais, O Fim das Possibilidades, teve estreia mundial no TNSJ em 2015, numa encenação de Nuno Carinhas e Fernando Mora Ramos. Foi distinguido com o Prix Thalie 2008 da Associação Internacional de Críticos de Teatro, prémio « destinado a  distinguir uma personalidade que aportou uma contribuição maior ao teatro no mundo, contribuição suscetível de transformar o pensamento crítico sobre o teatro».”

 

 

  

Jean-Pierre Sarrazac fala sobre Léxico do drama moderno e contemporâneo

 


Jean-Pierre Sarrazac em entrevista — «O Teatro está no coração da Arte».

 

Abigail Ascenso é ilustradora e designer gráfica. Nasceu em 1979, na Maceira-Liz. Licenciada em Design de Comunicação / Arte Gráfica pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, escola onde também  frequentou vários cursos práticos de pintura e de ilustração (…).”
Realizou na mesma escola o curso de mestrado em Pintura.
Entre os  livros infantis que ilustrou, contam-se obras de Ana Luísa Amaral, Matilde Rosa Araújo, Luísa Ducla Soares entre outros.

 

Alexandra Moreira da Silva é tradutora e investigadora teatral. Professora no Instituto de Estudos de Teatro da Universidade Sorbonne Nouvelle- Paris. Traduziu para português diversas peças de autores franceses.

 

 

 

 

“Não há um teatro, há teatros, de acordo com a época, evidentemente, mas também, numa determinada época, de acordo com os públicos e as suas expectativas.  Hoje em dia, o teatro é muito diversificado e o público mais fragmentado do que nunca. Quer se goste ou não, existe uma distância que pode parecer intransponível entre as comédias de pura diversão e criações como as de Ariane Mnouchkine no Théatre du Soleil, que pretendiam contar um episódio da história da França,(…) ou do mundo (…).

Na Grécia do século V a.C., o teatro é um assunto que implica toda a sociedade. Compete ao Estado assumir todas as despesas das representações e organizar as festas intituladas dioniasíacas, onde são apresentados os espetáculos. É no final destas festas que são coroados os melhores autores de tragédia e de comédia. (…) É a Cidade inteira, a assembleia de todos os cidadãos que assiste, em bancadas ao ar livre, aos concursos de tragédia e de comédia.”

In Vou ao Teatro Ver o Mundo (2016), editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda | Teatro Nacional de São João.

 

 

 

 

“(…) a arte suprema no teatro, esta atividade eminentemente coletiva, não é nem a do espectador nem  a do encenador, do cenógrafo ou de outros colaboradores mas, evidentemente, a arte do ator. Se o teatro é uma arte  do presente e da presença, é ao ator que o deve. Em certas épocas, o teatro foi muito longe, recorrendo a uma grande quantidade de cenários e de efeitos, explorando o espetacular e a ilusão. “

In Vou ao Teatro Ver o Mundo (2016), editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda | Teatro Nacional de São João

 

 

 

 

Na  edição da rubrica À volta dos livros Ana Daniela Soares conversa com Teresa Calçada, comissária do Plano Nacional de Leitura, no dia 05 Abr. 2019, sobre o livro Vou ao Teatro Ver o Mundo.

 

 Teatro S. João

Teatro de São João Porto



 

 

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