Um livro por semana
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Um livro, a história de uma infância.
6.março.21

 

Persépolis

 

“A palavra «Irão» derivava de «Ayryana Vaejo», que significa «a origem dos Arianos». (…) O Irão foi conhecido como Pérsia – o seu nome grego – até 1935, quando Reza Shah, o pai do último xá do Irão, pediu a toda a gente que passasse a chamar Irão ao país.
O Irão era rico. As suas riquezas  e a sua localização geográfica convidavam aos ataques (…). O Irão foi muitas vezes dominado  por estrangeiros. Contudo, a língua e a cultura persas sobreviveram a essas invasões. Os invasores assimilavam a sua marcante cultura e, de certa forma, tornavam-se também iranianos.
No século XX, o Irão entrou numa nova fase. Reza Shah decidiu modernizar e ocidentalizar o país, mas, entretanto, foi descoberta uma nova fonte de riqueza: o petróleo. E, com o petróleo, veio uma nova invasão. O Ocidente, em particular a Grã- Bretanha, exercia uma enorme influência na economia iraniana. (…)
Em 1951,  Mohammed Mossadegh, então primeiro-ministro do Irão, nacionalizou a industria petrolífera. (…)  Em 1953, a CIA, com a ajuda dos serviços secretos britânicos, organizou um golpe de Estado contra ele. Mossadegh foi deposto e o xá,  que tinha saído pouco antes do país, regressou ao poder.  Permaneceu no trono até 1979, quando fugiu  do Irão para escapar à Revolução Islâmica.
Desde  então, esta antiga e grandiosa civilização  tem  sido quase  sempre associada ao fundamentalismo, ao fanatismo e ao terrorismo. Como iraniana que viveu mais de metade da sua vida no Irão, sei  que esta imagem está muito longe da verdade. É por isso que escrever Persépolis  foi tão importante para mim.“

in Introdução, Persépolis – A história de uma infância e a história de um regresso. (2015), Bertrand Editora



Persépolis


Persépolis, “cidade persa”, como é conhecido internacionalmente este lugar histórico, foi nome dado pelos gregos já depois da sua destruição. Apesar de ser apenas uma sombra do que já foi, as suas ruínas são um dos lugares mais interessantes do Irão, e os seus relevos um desfile de personagens da época. Retrato de uma viagem à histórica Persépolis.

  

O blogue Alma de Viajante dá-nos a conhecer Persépolis.

 

Persépolis é a historia de  Marjane Satrapi, uma iraniana que viveu  a guerra civil, a violência do exército e da polícia do Irão. Viveu a transformação do país -  de uma monarquia para uma república islâmica. Alguns famíliares foram presos, amigos mortos, o medo obrigou a sua família a fugir para a Áustria em 1983.

 

Marjane Satrapi

 

"Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irão, em 1969, e atualmente vive em Paris. Estudou no liceu francês de Teerão, onde passou a sua infância. Bisneta de um imperador do país, teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda. Aos catorze anos, partiu para a Áustria, e depois retornou ao Irão para estudar belas-artes. Estabelecida em França como autora e ilustradora, Marjane conquistou a fama mundial com Persépolis, obra que ganhou alguns dos mais prestigiados prémios deste género literário. As ilustrações de Marjane são publicadas em revistas e jornais de todo o mundo, incluindo The New Yorker e The New York Times." (in Wook)

«Estamos em 1979 e, no Irão, sopram os ventos de mudança. O Xá foi deposto, mas a Revolução foi desviada do seu objetivo secular pelo Ayatollah e os seus mercenários fundamentalistas. Marjane Satrapi é uma criança de dez anos irreverente e rebelde, filha de um casal de classe alta e convicções marxistas. Vive em Teerão e, apesar de conhecer bem o materialismo dialético, ter um fetiche por Che Guevara e acreditar que consegue falar diretamente com Deus, é uma criança como qualquer outra, mergulhada em circunstâncias extraordinárias. Nesta autobiografia gráfica, narrada com ilustrações monocromáticas simples mas muito eloquentes, Satrapi conta a história de uma adolescência durante a qual familiares e amigos "desaparecem", mulheres e raparigas são obrigadas a usar véu, os bombardeamentos iraquianos fazem parte do quotidiano e a música rock é ilegal. Contudo, a sua família resiste, tentando viver uma vida com um sentido de normalidade. Um livro inteligente, muito relevante e profundamente humano.» in  BBC

 

 

O sucesso do livro  foi tão grande  que houve uma adaptação ao cinema.

Distinguido com o Prémio do Júri no Festival de Cannes, o filme foi candidato ao Óscar de melhor longa-metragem de animação e, entre outras distinções, ganhou o Prémio do Público nos festivais de São Paulo e Roterdão,  foi considerado o Melhor Filme de Animação pelo círculo de críticos de Nova Iorque e Los Angeles.

 

 

 

 

 

 Persépolis | Trailer (2007)

  

 

 

 

Citações de impressa: 

«Uma fascinante autobiografia em formato gráfico. Associando textos de uma simplicidade quase infantil (ainda que muito poética) e desenhos a preto e branco que evocam as iluminuras medievais, Marjane Satrapi desafia a imagem que os ocidentais têm do Irão contemporâneo.»

L’Express

 

«Uma das memórias mais expressivas e originais dos nossos dias. O tom franco deste livro, equilibrado pelo seu humor e pela força das suas ilustrações, é uma revelação surpreendente da realidade da vida entre guerras, revoluções e um regime fundamentalista.»

The Los Angeles Times

 

«Um livro revelador, cativante e inesquecível. Uma obra extraordinária.»

The New York Review of Book

 

«Esta narrativa da transição de uma sociedade secular para um Estado islâmico é indispensável para a compreensão da história contemporânea.»

The Times

 

«Como muitos jovens iranianos, Satrapi viveu um quotidiano no qual os prazeres tinham de ser ocultados, o risco era constante, a prisão era frequente e a vigilância, constante. A história de Satrapi é cativante e incrivelmente complexa, não só pela riqueza do enredo como também pelas suas muitas ironias e contradições. Seria sempre uma narrativa fascinante, mas o facto de ser narrada como romance gráfico, com o seu ritmo cinemático e o seu estilo pessoal, confere-lhe um dinamismo e uma intimidade que se adequam perfeitamente a este tema ao mesmo tempo tão subjetivo e tão universal. A voz narrativa de Satrapi é tão franca e expressiva como o seu estilo gráfico: honesta, autêntica, irreverente, engraçada, terna, impulsiva e forte. É difícil despedirmo-nos das personagens, no fim.»

The New York Times

 

«Persépolis combina a história com a memória, retratando o drama de um país através da história de uma família.»

The New York Review of Book

 

«Uma memória gráfica brilhante e invulgar, contada num tom franco e cativante, que ilustra de forma dramática a maneira como os regimes repressivos deformam a vida quotidiana dos cidadãos.»

Vogue

 

 

 

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