Um livro por semana
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Um livro…. um segredo das almas.
19.junho.2021

 

Mrs. Dalloway

 

Mrs Dalloway foi incluído na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos do The Guardian (2002).

Foi considerado pela Time (2005) um dos 100 melhores livros em inglês escritos desde 1923.

 

“Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental. Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.”

sinopse in Livros do Brasil

 

  

Cartaz do filme

 

 


Mrs Dalloway Trailer (1997)

 

 

E, assim começa Mrs Dalloway: 

“Mrs Dalloway disse que ela própria iria comprar as flores.
Quanto ao serviço de Lucy, já estava determinado. As portas seriam retiradas dos gonzos; daí a pouco, chegariam os homens de Rumpelmayer. E então, pensou Clarissa Dalloway, que manhã – fresca como para crianças numa praia.
Que frémito! Que mergulho! Sempre assim lhe parecera quando, com um leve ranger dos gonzos, que ainda agora ouvia, abria de súbito as vidraças e mergulhava no ar livre, lá, em Bourton.  Que fresco, que calmo, mais do que o de hoje, era então o ar da manhã; como o choque de uma onda; como o beijo de uma onda; frio, fino, e ainda (para a menina  de dezoitos anos que ela era) solena, sentindo como sentia, parada ali, ante a janela aberta, que alguma coisa de terrível ia acontecer; olhando para as flores, para os troncos de onde se desprendia a névoa, para as gralhas que se alçavam e abatiam; parada e a olhar até que Peter Walsh lhe dizia: «mediatando entre os legumes?» - seria isso? – ou « Prefiro as pessoas às couves-flores» - seria isso? Com certeza o dissera certa manhã em que ela saíra para o terraço – esse Peter Walsh. Regressaria da Índia um dia próximo, em junho ou julho, não se lembrava bem, pois as suas cartas eram incrivelmente aborrecidas; os seus  ditos é que ficavam na memória; os seus olhos, o canivete, o sorriso, a rabugice e, quando milhões de coisas se haviam desvanecido de todo – que estranho era! -. umas tantas frases, como aquela acerca das couves.”

in Mrs Dalloway (2015), Edições Livros do Brasil



Virgina Woolf

 

“Virginia Woolf nasceu em Londres a 25 de janeiro de 1882, filha de Sir Leslie Stephen, escritor e historiador ilustre da Inglaterra vitoriana. Desde cedo ligada a grupos de intelectuais, casou em 1912 com Leonard Woolf e com ele fundou a editora Hogarth Press, responsável pela revelação de autores como Katherine Mansfield e T. S. Eliot e pela publicação das suas próprias obras. Reconhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo britânico, destacam-se entre os seus trabalhos os romances Mrs Dalloway (1925), Orlando (1928) e As Ondas (1931), assim como o ensaio Um Quarto que Seja Seu (1929). Após sucessivas crises depressivas e não suportando o isolamento provocado pelo agravar da Segunda Guerra Mundial, suicida-se a 28 de março de 1941, em Lewes.”

in Livros do Brasil


 

 


“Bastava-lhe apenas abrir os olhos; mas havia neles um peso; um medo. Endireitou-se; fez um esforço; olhou; viu Regent’s Park. Longas faixas de sol acariciavam-lhe os pés.  As árvores abanavam, agitavam-se. Acolhemos, parecia dizer o mundo; aceitamos; criamos. Beleza, parecia dizer o mundo. E como que a prová-lo (cientificamente), para onde quer que ele olhasse, as caras, as grades, os antílopes estendendo o pescoço por cima da cerca, a beleza brotava instantaneamente. Observar uma folha a tremer ao sopro do ar era uma esquisita alegria.  Muito alto no céu, as andorinhas juntavam-se, apartavam-se, dirigiam-se para um e outro lado, faziam círculos, sempre em perfeito acordo, como que presas por elásticos; e os voos alçavam-se e abatiam-se; o sol tocava ora  esta folha, ora aquela, a brincar, confundindo-as no seu suave ouro, por pura benevolência; e de vez em quando alguma harmonia (podia ser uma buzina de automóvel) ressoava divinamente contra as hastes da relva… tudo aquilo, assim tranquilo e razoável, constituído de coisas ordinárias, era a verdade; beleza, esta era a verdade. A beleza estava em toda a parte.
- São horas – disse Rezia.
A palavra «horas» rebentou a sua casca; derramou os seus tesouros sobre ele; e dos seus lábios tombavam, como escamas, como limalhas, sem que ele nada fizesse para isso, duras, brancas, imortais palavras que voaram, colocando-se por si mesmas no devido lugar numa ode ao Tempo; uma imortal ode ao Tempo. Cantou.“

in Mrs Dalloway (2015), Edições Livros do Brasil  



As horas

 

Inicialmente a obra Mrs Dalloway (1925) tinha como título As Horas, ideia que foi abandonada posteriormente.

Aos 15 anos Michael Cunningham leu Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf e foi então que decidiu que tudo faria para ser escritor. As Horas é uma homenagem de Michael Cunningham ao universo de Virginia Woolf.

 

 

 

 

Se tu lesses o que eu li , uma proposta do PNL2027, concretizada pela Andante, onde várias vozes nos falam dos seus livros, das suas leituras e das suas paixões. Recordamos a paixão de Ana Sofia Paiva - Orlando -, uma obra de Virginia Woolf.

 

 

 

Outros livros de Virginia Woolf:

 A casa assombrada     Orlando     Diário 

 Diários     Viagens     Um quarto que seja seu 

 Flush - Uma biografia     A viúva e o papagaio     A cortina da Senhora Lugton 

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