Um livro por semana
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Um livro… sobre a condição humana.
29.maio.2021

 

O fio da navalha

 

 “Uma imensa obra de arte; estimulante, imaginativa e divertida… Um livro fascinante.”
The Times Literary Supplement


 “Somorset Maugham  foi o escritor moderno que mais me influenciou”
George Orwell

 

“Quando um amigo e colega de combate morre ao tentar salvá-lo, a vida de Larry Darrell muda para sempre. Para o jovem aviador americano, a morte passa então a ter um rosto. O inexorável mistério da morte leva-o a questionar o significado último da frágil condição humana e a embarcar numa obstinada e redentora odisseia espiritual.
Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade para buscar o sentido da vida (que encontrará, certa manhã, algures na Índia), Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.

Por duas vezes adaptado ao cinema, O Fio da Navalha é um romance intemporal. As ansiedades e dúvidas de Larry são também as nossas; continuamos até hoje a buscar um sentido para a nossa existência. Para encarnar essa luta contra o destino, Somerset Maugham criou um dos mais fascinantes personagens do seu vasto legado literário. Da Primeira à Segunda Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão, ele leva-nos, através das sociedades francesa, americana e inglesa, à verdade mais recôndita da alma e do sentimento humanos.”

in O Fio da Navalha (2013), ed. Asa

 

  

William Somerset Maugham

 

“William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. Aqui assumiria a sua bissexualidade, tendo a primeira relação homossexual, e aqui escreveria o seu primeiro livro, uma biografia do compositor Giacomo Meyerbeer. Quando regressou a Inglaterra, Somerset Maugham já tinha a certeza de que queria ser escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático, experiência que lhe serviu de mote para várias obras. Entre os seus livros mais notáveis, encontram-se Servidão Humana, O Fio da Navalha e A Carta. Somerset Maugham morreu na sua casa do Sul de França em 1965, e as suas cinzas foram espalhadas perto da Biblioteca Maugham, em Inglaterra.”

in Wook


Entrevista a Somerset Maugham (1965)


“Gostaria de te fazer ver como a vida espiritual é emocianante e rica de experiências. É imensa. É uma vida tão feliz. Não há nada que se lhe compare, é como estar aos comandos dum avião, sozinho lá no alto, rodeado apenas pelo infinito. Fica-se embriagado com o espaço sem fim. A emoção é tal que não se trocaria por todo o poder e glória do mundo. “

in O Fio da Navalha



Cartaz

 




Cartaz


O crítico de cinema Lauro António fala-nos das duas adaptações cinematográficas de um dos romances de maior sucesso de Somerset Maugham – O Fio da Navalha.

 


The Razors Edge 1984 - Trailer  


“- Quem sou eu para explicar as infinitas complexidades da natureza humana?
- Era por causa disto que queria falar consigo hoje – acrescentou ela [Isabel], não levando em consideração o que eu acabara de dizer.
- Sente-se infeliz?
- Não, infeliz propriamente, não. Quando o Larry não está, sinto-me bem; mas quando estou com ele, sinto-me tão fraca. Agora sinto apenas uma espécie de moinha, como a rigidez que se sente nos músculos depois de uma longa cavalgada, quando não se anda a cavalo durante meses; não é uma dor intensa, não é insuportável, mas sinto-a. Sei que a vou ultrapassar. Detesto pensar que o Larry possa estragar a vida dele assim.
- Talvez isso não aconteça. Ele iniciou uma caminhada por uma estrada longa e penosa, mas pode acontecer que no fim encontre o que procura.
- E o que será que ele procura?
- Ainda não percebeu? parece-me que, pelo que ele lhe disse, o mostrou com bastante clareza: Deus.
- Deus! – exclamou ela. Foi, no entanto, uma exclamação de incrédula surpresa. O nosso uso da mesma palavra, mas com sentidos totalmente diferentes, teve um efeito cómico e ambos fomos obrigados a rir. Mas Isabel ficou de novo muito séria quase de imediato e eu pressenti em toda a sua atitude algo muito semelhante ao medo. – O que o leva a pensar assim?
- É só um palpite. Mas você pediu-me que lhe dissesse o que eu pensava enquanto romancista. Infelizmente, não sabe que tipo de experiência ele terá tido na guerra para o marcar tão profundamente. Penso que foi um choque  súbito para o qual não estava preparado. O que lhe posso dizer é que o que quer que tenha acontecido ao Larry o impregnou do sentido da transitoriedade da vida e da angustiante necessidade de se assegurar de que existe compensação para os pecados e para as mágoas deste mundo.”

in O Fio da Navalha  


Ministério dos Livros


O Blog Ministério Dos Livros partilha  a sua leitura depois de ter participado no Clube de Leitura PNL – a Ler!

 

 

Outros livros de Somerset Maugham:

 Servidão humana     O véu pintado     Férias em Paris 

 Um gentleman na Ásia     Paixão em Florença     As paixões de Júlia 

 

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