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Um autor por mês
Um autor por mês
Albert Camus

  

Albert Camus 

«Não sou filósofo, e por isso não posso falar senão daquilo que vivi. Vivi o niilismo, a resistência, a violência e a vertigem da destruição. Ao mesmo tempo, festejei o poder de criar e o esplendor da vida. Nada me autoriza, por isso, a julgar de uma forma sobranceira a época com a qual sou inteiramente solidário. Julgo-a a partir do seu interior, confundindo-me todos os dias com ela. Mantenho, no entanto, o direito de dizer sempre aquilo que sei sobre mim e sobre os outros, na condição única de que tal não sirva para aumentar a insuportável infelicidade do mundo, mas sim para designar, nos muros obscuros que vamos tacteando, os lugares ainda invisíveis ou as portas que podem ser abertas.»  in Actuelles II, 1953

  

 Albert Camus

 

 

 

 

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913, durante a ocupação francesa.

O seu pai era francês nascido na Argélia e a sua mãe, também nascida na Argélia, era de origem minorquina.  Albert Camus era muito pequeno quando perdeu o seu pai que morreu, em 1914, na batalha do Marne, durante a Primeira Guerra Mundial.

 

 

Albert Camus

Albert Camus com o seu irmão


“As condições em que Albert Camus efetou os seus estudos superiores, na Faculdade de Argel, não foram fáceis.

Licenciado em Letras, no ramo de Filosofia, apresentou uma tese sobre Santo Agostinho e Plotino. A doença, porém, impossibilitou-o de levar a bom termo o concurso para a «agrégation». Teve diversos empregos: vencedor de acessórios de automóveis, meteorologista, empregado num escritório.

Camus já revelava nessa época a sua paixão pelo teatro. A ele se deve a fundação de um grupo de teatro, L’Équipe, chegando a reservar para si o desempenho de alguns papéis.“

Participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat.

Foi escritor, filósofo, romancista, dramaturgo, jornalista e ensaísta. Na política esteve envolvido, de forma ativa, na Resistência Francesa, pode considerar-se um homem comprometido com a situação política do seu tempo.

Camus morreu em janeiro de 1960, vítima de um acidente de automóvel. Na mala do carro encontrava-se o manuscrito de O Primeiro Homem, um romance autobiográfico. “Por uma ironia do destino, nas notas ao texto, ele escreveu que aquele romance deveria ficar inacabado.” Encontra-se sepultado no cemitério de Lourmarin, em França.

 

Para saber mais sobre a biografia de Albert Camus.

 

  Podcasts Albert Camus 


   Albert Camus, l'écrivain


   Albert Camus, l'homme engage


   Le théâtre d'Albert

 

 

 

 


O trabalho intelectual de Albert Camus inclui peças de teatro, novelas, notícias, filmes, poemas e ensaios, onde ele desenvolveu um humanismo baseado na consciência do absurdo da condição humana e na revolta como uma resposta a esse absurdo.

 

  

Obras de Camus

 


O Estrangeiro foi o romance de Albert Camus, considerado por muitos críticos literários uma obra-prima da literatura francesa. Traduzido em mais de quarenta línguas, foi também adaptado ao cinema pelo realizador Luchino Visconti (1967).

 

O estrangeiro

Meursault recebe um telegrama: a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia - até que ocorre um homicídio.

Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência. Publicado originalmente em 1942, este primeiro romance de Albert Camus foi traduzido em mais de quarenta línguas e adaptado para o cinema por Luchino Visconti em 1967, sendo indubitavelmente uma das obras-primas da literatura francesa do século XX. Esta edição foi revista de acordo com o texto fixado pelo autor.”

sinopse disponibilizada pela ed. Livros do Brasil

 

 

 

O estrangeiro

 

 

“Hoje, a mãe morreu. ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: «Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.» Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem.

O asilo de velhos fica em Mareng, a oitenta quilómetros de Argel. Tomo o autocarro das duas horas e chego lá à tarde. Assim, posso passar a noite a velar e estou de volta amanhã à noite. Pedi dois dias de folga ao meu patrão e, com uma razão destas, ele não mos podia recusar, Mas não estava com um ar muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe: «A culpa não é minha» Não respondeu. Pensei então que não devia ter dito estas palavras.  A verdade é que eu não tinha de me desculpar. Ele é que tinha de me dar os pêsames. (…)

(…) o patrão mandou-me chamar e fiquei aborrecido, porque pensei que me ia dizer para telefonar menos e trabalhar mais. Não era nada disso. Declarou-me que me ia falar num projeto ainda muito vago. Queria apenas saber a minha opinião sobre o assunto. Tencionava instalar um escritório em Paris, para tratar directamente com as grandes companhias, e perguntou-me se eu estava disposto a ir para lá. Poderia assim viver em Paris e viajar durante o ano. «Você ainda é novo e creio que essa vida lhe agradaria.» Disse que sim, mas que, no fundo, me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava. Mostrou um ar descontente, disse que eu respondia sempre à margem das questões e que não tinha ambição, o que, para os negócios, era desastroso. Voltei para o meu trabalho. Teria preferido não o descontentar, mas não via razão alguma para modificar a minha vida. Pensando bem, não era infeliz. Quando era estudante, alimentara ambições desse género. Mas, quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância.”

 O Estrangeiro (2015) ed. Livros do Brasil

  

 Cartaz do filme The Stranger

 

  

 Estrangeiro (1967), com Marcello Mastroianni, realizado por Luchino Visconti

 

 

O mito de Sísifo

“Os deuses tinham condenado Sísifo a empurrar sem descanso um rochedo até ao cume de uma montanha, de onde a pedra caía de novo, em consequência do seu peso.  Tinham pensado, com alguma razão, que não há castigo mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança. A acreditar em Homero, Sísifo era o mais ajuizado e o mais prudente dos mortais. No entanto, segundo outra tradição, tinha tendências para a profissão de bandido. Não vejo nisto a menor contradição. As opiniões diferem sobre os motivos que lhe valeram ser trabalhador inútil dos infernos. Censura-se-lhe, de início, certa leviandade para com os deuses.“

O Mito de Sísifo. ed. Livros do Brasil

 

 

 

 

O mito de Sísifo

 

 

   

A peste

“Enquanto os nossos concidadãos tentavam adaptar-se a este súbito exílio, a peste punha guardas às portas e desviava os navios que faziam rota para Orão. Desde que as portas haviam sido fechadas, nem um único veículo entrara na cidade. A partir desse dia, teve-se a impressão de que os automóveis andavam sempre em roda. O porto apresentava também um aspeto singular para aqueles que o olhavam do alto das avenidas. A animação habitual que o tornava um dos primeiros portos da costa tinha-se extinguido bruscamente. Viam-se lá ainda alguns navios mantidos de quarentena. Mas no cais, grandes gruas desarmadas, as vagonetas deitadas de lado, as pilhas solitárias de barris ou de sacos testemunhavam que também o comércio tinha morrido de peste. (…) As pessoas sentiam-se impacientes ou irritadas e isso não são sentimentos que se oponham à peste.

in A Pesteed. Livros do Brasil

 

 

Albert Camus – A Peste

 

 

               A queda     O avesso e o direito     O homem revoltado 

               O exílio e o reino     A morte feliz     Cartas a um amigo alemão

               Calígula     Escritos de juventude     Os justos 

 

 Calígula é uma peça de teatro escrita por Albert Camus, iniciada em 1938 (data do primeiro manuscrito de 1939) e publicada pela primeira vez em maio de 1944 por Éditions Gallimard.

 

 

 

 

Conferências e discursos

 

“Este volume reúne os trinta e quatro textos de que há registo proferidos publicamente por Albert Camus. Com exceção da reflexão sobre «a nova cultura mediterrânica», de 1937, todas estas comunicações foram realizadas no pós-guerra, resultado de solicitações que se foram multiplicando à medida que crescia a notoriedade do escritor e a vontade de ouvir o seu ponto de vista sobre as mudanças mundiais em marcha. Convicto da necessidade de «transformar o ódio em desejo de justiça», Camus depõe nos seus discursos um apelo para combater a infelicidade do mundo através de uma união fraterna entre os povos, sendo que a cada indivíduo caberá a sua parte, inclusive ao escritor. Como sublinhou: «Prefiro os homens empenhados às literaturas empenhadas. Coragem na vida e talento nas obras, já não é assim tão mau.» Este poderoso conjunto das suas palavras públicas é agora (janeiro, 2022), pela primeira vez, publicado em Portugal.”

in Wook

 

 

O primeiro homem

 

Em janeiro de 1960, a morte surpreendeu-o num acidente de viação, perto de Sens. Na mala do carro estava o manuscrito de O Primeiro Homem, considerado por muitos o mais autobiográfico da sua obra. O texto foi publicado 34 anos depois, em 1994.

 

 

 

 

 

 

 

 

O primeiro homem - novela gráfica

 

“A adaptação gráfica do manuscrito inacabado de Camus conta a história de Jacques Cormery, um menino que teve uma vida semelhante à de Camus.

 

Esta edição impressionante convoca o panorama, os sons e as texturas de uma infância circunscrita pela pobreza e pela morte de um pai, mas redimida pela beleza austera de Argel, pelo amor que Jacques tem à mãe e à avó, e por um professor que transformará a sua visão do mundo.”

in Wook




 

O primeiro homem - novela gráfica


O primeiro homem - novela gráfica



Clique para assistir - RTP Ensina

O Primeiro Homem, obra póstuma de Albert Camus, nas palavras de Teolinda Gersão



Clique para assistir - Youtube

FILOSOFIA - Albert Camus



“No dia 16 de outubro de 1957, a Academia Sueca anuncia a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Albert Camus.

 

Albert Camus - Prémio Nobel

 

Apesar do pânico e da agitação que essa notícia lhe provoca, o escritor aceita a distinção e cede, portanto, à regra que obriga o laureado a receber o prémio em Estocolmo e a pronunciar um discurso na ocasião. Assim, a 10 de dezembro de 1957, Albert Camus usa da palavra no final da grande cerimónia de atribuição dos Prémios Nobel na Câmara Municipal de Estocolmo. Na edição do seu discurso, publicada em janeiro de 1958 pelas Edições Gallimard, Albert Camus dedica o prémio a Loius Germain, seu professor na escola municipal de Belcourt, em Argel, a quem já escrevera em 19 de novembro de 1957: «Sem vós, sem essa mão afetuosa que o senhor estendeu à criança pobre que eu era, sem o seu exemplo, nada disto poderia ter acontecido.»

 

 

“Pessoalmente, não posso viver sem a minha arte. Mas nunca coloquei essa arte acima de tudo. Pelo contrário, se ela me é necessária é porque não está separada de ninguém e me permite viver, tal como sou, ao nível de todos os outros. Aos meus olhos, a arte não é um prazer solitário. É um meio para comover o maior número possível de pessoas, oferecendo-lhe uma imagem privilegiada dos sofrimentos e alegrias comuns. Obriga, portanto, o artista a não se isolar; submete-o à verdade mais humilde e mais universal. E aquele que, geralmente, escolheu o seu destino de artista porque se sentia diferente, aprende bem depressa que alimentará a sua arte e a sua diferença a não ser admitindo a sua semelhança com os outros. (…) Simultaneamente, o papel do escritor não está desligado de tarefas difíceis. Por definição, ele não pode hoje estar ao serviço dos que fazem a história: está ao serviço daqueles que sofrem. Ou, se assim não for, ficará só e privado da sua arte.“

in Conferências e Discursos (2022). Ed. Livros do Brasil

 

Livros sobre Albert Camus  

               A felicidade em Albert Camus     O peso da responsabilidade     O essencial sobre Albert Camus


Solidão e felicidade em Camus leia o artigo sobre o livro A Felicidade em Albert Camus.

 

Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 2013, a Imprensa Nacional dedicou-lhe um livro intitulado Essencial sobre Albert Camus. Na contracapa pode ler-se o seguinte:

«Para muitos, Albert Camus foi, em meados do século passado, o paladino de uma terceira via entre o fascismo e o comunismo: nas suas obras proclamava a liberdade como valor supremo do homem.

Avesso aos maniqueísmos dominantes, enunciou o princípio fundamental da sua ética, que é a fidelidade a um dever moral: «Acredito na justiça, mas, se fosse preciso, defenderia a minha mãe contra a justiça.»

Poderá ler um excerto aqui.


Albert Camus


 

“Recebi, há alguns meses, um jovem simpático e soviético que muito me espantou ao queixar-se de que os grandes russos não eram suficientemente traduzidos para francês. Fiz-lhe saber que a grande literatura russa do século XIX era, de todas as literaturas dessa época, a que estava melhor e mais traduzida entre nós. E, para cúmulo do seu espanto, afirmei-lhe, pelo meu lado, que sem Dostoievski a literatura francesa do século XX não seria aquilo que é. Para acabar de o convencer, disse-lhe por fim: «Repare que está no gabinete de um escritor francês muito envolvido com o movimento de ideias do seu tempo. Quais são os dois únicos retratos que se encontram neste gabinete?» Ele voltou-se na direção que eu lhe indicava, e o seu rosto iluminou-se ao ver os retratos de Tolstói e Dostoiévki “

Em Louvor de Dostoievski, in Conferências e Discursos (2022). Ed. Livros do Brasil

  

 

A vida é absurda. Como vivê-la

 

 

Albert Camus, Un Combat Contre L'Absurde

 

Albert Camus e o absurdo da existência – um artigo disponível na comunidade de Cultura e arte

 

7 Life Lessons From Albert Camus

 

Em 2010, o Eurochannel convida o grande público a conhecer os últimos anos da vida de Albert Camus. O filme, dirigido por Laurent Jaoui, realça momentos da vida romântica do escritor e as ideias de Camus.

  

Albert Camus

 

Camus fotográfico um artigo de Rui Bebiano, publicado na revista LER de Fevereiro de 2011.

 

Da atualidade de Camus, um artigo de Rui Bebiano, publicado em dezembro de 2013 na revista LER.

  

A morte de Albert Camus


 

50 anos sem Albert, um artigo de Rui Bebiano.

 

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2020 © Plano Nacional de Leitura
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