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Um autor por mês
Um autor por mês
Franz Kafka

 

“4 de Janeiro. É só por vaidade que eu gosto tanto de ler alto para as minhas irmãs (de tal maneira que hoje, por exemplo, se fez tarde de mais para ir escrever). Não que estivesse convencido de conseguir qualquer coisa positiva com a leitura, é só que eu estou dominado pela paixão  de me aproximar tanto das boas obras que leio que me misturo com elas, não por meu mérito próprio, de facto, mas só pela atenção das minhas irmãs, que estão atentas, atenção  que é espicaçada pelo que se está a ler e que é insensível ao que não é essencial; e assim também, por  debaixo do esconderijo que a minha vaidade me oferece, eu posso participar como criador  no efeito que só a obra exerceu. É por isso que eu leio realmente muito bem para as minhas irmãs e faço a pontuação com extremo cuidado, precisamente como a sinto, porque mais tarde a minha recompensa é abundante e vem não só de mim como das minhas irmãs. “

                                                                  in Diários 1910-1923, ed. Difel 


Franz Kafka 

Franz Kafka, escritor checo, de língua alemã, considerado por muitos críticos literários um dos maiores escritores do século XX. 

  

 

“Franz Kafka nasceu a 3 de julho de 1883 em Praga, onde o pai era negociante. Pressionado por este, com quem tem difíceis relações, estuda direito numa universidade alemã. A sua  adolescência será marcada pelo ambiente muito particular de Praga, onde se entrecruzam as fraquezas e as contradições da velha Europa.

 

 

Franz Kafka

Kafka na adolescência


(…) Doutor em direito, entra para uma companhia de seguros em 1907, mas a sua natureza complexa vai adaptar-se dificilmente à vida profissional. Em 1910 começa a escrever os Diários que irá manter com regularidade até 1923.”

                                                                  in Diários 1910-1923, ed. Difel

 

“Em vida, publicou apenas sete pequenos livros e alguns textos em revistas. De entre estes livrinhos e textos, destaca-se A Metamorfose, que veio a lume em 1915. Esta pequena novela viria a afirmar-se como uma das suas obras de referência. A 3 de junho de 1924, não resistindo à tuberculose diagnosticada em 1917, morre em Kierling, a poucos quilómetros de Viena, deixando três romances fragmentários, que seriam publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod: O Processo (1925), O Castelo (1926) e América (1927), a que se seguiram volumes com contos, cartas e diários. “

in Wook

 

 Conheça mais pormenores da vida de F. Kafka no Portal da Literatura.

 

 

 Franz Kafka - Um Escritor Entre Mundos

 

“7 de Junho. Mau. Não escrevi nada hoje. Amanhã não tenho tempo nenhum.

(…)

9 de Julho. Ainda não escrevi nada. Vou começar amanhã. Senão caio outra vez num período de insatisfação irresistível e prolongado; já estou até a entrar nele. As crises nervosas estão a aparecer. Mas se conseguir fazer qualquer coisa, não preciso de tomar precauções.

(…)

7 de Agosto. Longo flagelo. Escrevi finalmente a Max a dizer-lhe que não posso aprontar os bocadinhos que ainda me faltam, não me quero obrigar a isso, e por isso não vou publicar o livro.”

                                                                   in Diários 1910-1923, ed. Difel

 

 

 LITERATURE: Franz Kafka

 

“1 de Setembro. Em total desespero mal escrevi duas páginas. Retrocedi hoje bastante, embora tivesse dormido bem, Contudo, se pretendo ultrapassar as dores iniciais da escrita, como o efeito inibidor da minha maneira de viver, e erguer-me para a liberdade que talvez me espere, eu sei que não posso ceder. (…)”

                                                                  in Diários 1910-1923, ed. Difel

 

  

Cartas, manuscritos e desenhos de Kafka                   Cartas, manuscritos e desenhos de Kafka


               Diários     O abutre     Um artista da fome 

               Contos     O desejo de ser um índio     O desaparecido

               Os contos     Bestiário de Kafka     Os filhos 

               Na colónia penal     Aforismos     América 

 

 

Carta ao pai

 Primeira página do manuscrito de Kafka de Carta ao Pai

 

 

Cartas a Milena

 

“Franz Kafka conheceu Milena como tradutora para o checo das suas primeiras prosas breves. Ele tinha trinta e sete anos, ela vinte e três. A sua relação transformou-se numa ligação apaixonada. As cartas testemunham um romance de amor, de desespero, de felicidade e de humilhação voluntária. Mas a ligação entre Kafka e Milena permaneceu, apesar dos seus raros encontros, essencialmente epistolar, como as de Werther ou de Kierkegaard. Milena morreu vinte anos depois de Kafka, no campo de concentração de Ravensbrück.”

in Relógio D'Água

 

«“A ti, por sua causa e tua, uma pessoa pode dizer a verdade como a mais ninguém, mais até, pode saber a sua verdade directamente de ti.” Talvez como mais nenhum outro, este passo da carta escrita por Franz Kafka em 25 de Setembro de 1920 a Milena Pollak dá testemunho não apenas da intensidade da relação entre ambos — provavelmente, a relação amorosa mais profunda da vida de Kafka —, mas também do extremo de exposição pessoal a que o autor d’O Processo estava disposto no âmbito dessa relação. Poucos dias antes, a 22 de Setembro, esse extremo expressara-se numa imagem de inultrapassável violência — “o amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas” (…).» [Do Prefácio]


 

Metamorfose


A Metamorfose escrita em 1912, e publicada três anos mais tarde, é para muitos a obra-prima de Franz Kafka. Uma parábola sobre a alienação humana, uma narrativa sobre o absurdo da vida e sobre os processos de exclusão, que conserva ainda hoje toda a sua carga revolucionária.


 

 A metamorfose   A metamorfose   A metamorfose  A metamorfose


Para o escritor Jaime Rocha, a metamorfose do caixeiro-viajante, filho dedicado que trabalha para pagar as dívidas da família, homem cumpridor das suas obrigações, é, de alguma forma, uma síntese do próprio Kafka, o seu autor de culto. O livro da sua vida.

Acompanhe o depoimento do escritor no documentário da RTPEnsina


Clique para assistir - RTP Ensina


 

  

Filme - A Metamorfose, de Franz Kafka (legendado em português).

 

 

THE METAMORPHOSIS by FRANZ KAFKA – animated summary

 

Arthur Pita adaptou a novela de F. Kafka para dança de teatro, em 2011, e foi apresentada pela primeira vez no Linbury Studio Theatre. The Metamorphosis ganhou o prémio South Bank Sky Arts. 

 

Kafka: Metamorphosis (Royal Opera House)

 

 

O castelo

 

“Era noite cerrada quando K. chegou. A aldeia estava imersa na neve. Do monte do Castelo, não se vislumbrava nada, envolviam-no o nevoeiro e a escuridão, nem o mais ténue clarão anunciava o grande Castelo. K. deteve-se durante muito tempo na ponte de madeira que vai da estrada nacional até à aldeia e olhou para cima em direção ao aparente vazio.

depois, foi à procura de um lugar para dormir; na estalagem, as pessoas estavam ainda acordadas, é verdade que o estalajadeiro não tinha nenhum quarto para alugar, mas, extremamente surpreendido e confundido com o hóspede tardio, quis deixar K. dormir na sala de restaurante num colchão de palha, K. concordou. […]

Mas passado algum tempo, foi logo acordado. Um jovem, vestido de maneira citadina, com cara de ator, olhos estreitos, sobrancelhas espessas, estava de pé, com o estalajadeiro ao seu lado. Os camponeses também ainda lá estavam, alguns tinham virado as cadeiras para poderem ver e ouvir melhor. O jovem pediu desculpas muito delicadamente por ter acordado K., apresentou-se como filho do castelão e, depois, disse: «Esta aldeia é propriedade do Castelo, quem aqui vive ou pernoita, vive e pernoita de certo modo no Castelo. Ninguém o pode fazer sem a autorização condal. O senhor, porém, não tem essa autorização ou pelo menos não a apresentou.”


 

“Franz Kafka grava em O Castelo, romance póstumo e inacabado (…), a força de uma narrativa que se debruça sobre a espera, a frustração e a impotência perante um mundo turvo e intransponível.”

 in [contracapa] O Castelo, ed. Livros do Brasil.

 

 

O processo

 

“Alguém devia ter difamado Josef K., pois, certa manhã, sem que tivesse feito qualquer mal, foi preso. A cozinheira da senhora Grubach, sua senhoria, que todos os dias, pelas oito horas da manhã, lhe trazia o pequeno-almoço, desta vez, não apareceu.” 

(…)

K. esperou durante a semana seguinte, dia após dia, por uma nova comunicação, pois não queria acreditar que a sua recusa em ser interrogado tivesse sido levada à letra, e como a esperada comunicação de facto não chegou até sábado à noite, partiu do princípio de que estava tacitamente intimado a comparecer no mesmo edifício e à mesma hora. Dirigiu-se por isso de novo, no domingo, ao local, indo, desta vez, diretamente pelas escadas e corredores, algumas pessoas, que se lembravam dele, cumprimentavam-no à porta, mas ele não precisava mais de perguntar a ninguém e chegou rapidamente à porta certa. Assim que bateu, esta foi imediatamente aberta, e sem se preocupar com a conhecida mulher, que se mantivera junto à porta, quis logo dirigir-se ao quarto contíguo. «Hoje não nenhuma audiência», disse a mulher. «Porque não havia de haver nenhuma audiência?», perguntou incrédulo.”

in O Processo, ed. Livros do Brasil

 

 


O processo



The Trial (1962) é um filme dirigido por Orson Welles, baseado no romance O Processo, de Franz Kafka.

The trial

 

 

  

What Is Kafkaesque? - The 'Philosophy' of Franz Kafka

 

 

As influências de Kafka na cultura pop além do mundo da literatura

 

“18 de Novembro. Vou voltar a escrever, mas, entretanto, quantas dúvidas não tive sobre o que escrevo? No fundo não sou uma pessoa ignorante, incapaz, que, se não tivesse sido obrigada – quase sem esforço da sua parte e também sem ter consciência da obrigação – a ir à escola, serviria apenas para se acocorar em cima de um camelo, saltar quando lhe oferecessem comida e saltar outra vez para o seu lugar depois de a ter engolido.“

                                                                                   in Diários 1910-1923, ed. Difel

 

  

Kafka


Em 2005, em Praga, abriu portas um museu dedicado a Franz Kafka, onde é exibido o espólio bibliográfico do escritor: cartas, diários, desenhos criados por Kafka, fotografias, assim como primeiras edições de alguns dos seus títulos.

Visite o Museu de Franz Kafka.

 

  

 

  

 Museu Franz Kafka

 

Museu Franz Kafka

  

Museu Franz Kafka 

 

 

Estátua em homenagem ao Franz Kafka, em Praga.

 

Estátua de Franz Kafka

 

 

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2020 © Plano Nacional de Leitura
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