Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro, um Nobel.
13.março.2021

 

O ano da morte de Ricardo Reis

 

“Ricardo Reis, idade quarenta e oito anos, natural do Porto, estado civil solteiro, profissão médico, última residência Rio de Janeiro, Brasil, donde procede, viajou pelo Highland  Brigade, parece o princípio duma confissão, duma autobiografia íntima, tudo o que é oculto se contém nesta linha manuscrita, agora o problema é descobrir o resto, apenas. (…) Ricardo Reis vai aos jornais, ontem tomou  nota das direcções, antes de se deitar, afinal não foi dito que dormiu mal, estranhou a cama ou estranhou a terra, quando se espera o sono no silêncio de um quarto ainda alheio, ouvindo chover na rua, tomam as coisas a sua verdadeira dimensão, são todas grandes, graves, pesadas, enganadora é sim a luz do dia,  faz da vida uma sombra apenas recortada, só a noite é lúcida, porém o sono a  vence, talvez para nosso  sossego e descanso, paz à alma dos vivos. (…) Causou dolorosa impressão nos círculos intelectuais a morte inesperada de Fernando Pessoa, o poeta do orfeu, espírito admirável que cultivava não só a poesia em moldes originais mas também a crítica inteligente, morreu anteontem em silêncio, como sempre viveu, mas como as letras em Portugal não sustetam ninguém, Fernando Pessoa empregou-se num escritório comercial, e, linhas adiante, junto do jazigo deixaram os seus amigos flores de saudade.”

in O Ano da Morte de Ricardo Reis, editora Caminho.

 

 

Autobiografia de José Saramago no portal da Fundaçáo José Saramago.

 

“Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga. As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»

Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte. No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário. Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.

Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado director-adjunto do Diário de Notícias.No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projecto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca.

Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, traduzidos em todo o mundo. (…)

José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.”

in Fundação José Saramago

 

   

Discurso de José Saramago na entrega do prémio Nobel da Literatura (1998)

 

 

Entrevista biográfica conduzida por Ana Sousa Dias a José Saramago, escritor, Prémio Nobel da Literatura em 1998

 

 

Algumas das capas do livro O Ano da Morte de Ricardo Reis, edições nacionais e estrangeiras.

 

                                         O ano da morte de Ricardo Reis - Portugal O ano da morte de Ricardo Reis - Portugal O ano da morte de Ricardo Reis - Portugal O ano da morte de Ricardo Reis - Portugal

                                        O ano da morte de Ricardo Reis - Portugal  O ano da morte de Ricardo Reis - Alemanha O ano da morte de Ricardo Reis - Alemanha O ano da morte de Ricardo Reis - Alemanha

                                         O ano da morte de Ricardo Reis - Alemanha O ano da morte de Ricardo Reis - Argentina O ano da morte de Ricardo Reis - Brasil O ano da morte de Ricardo Reis - Eslovénia

                                         O ano da morte de Ricardo Reis - EUA O ano da morte de Ricardo Reis - Finlândia O ano da morte de Ricardo Reis - França O ano da morte de Ricardo Reis - Grécia 

                                         O ano da morte de Ricardo Reis - Itália O ano da morte de Ricardo Reis - Noruega O ano da morte de Ricardo Reis - Reino Unido O ano da morte de Ricardo Reis - Rússia


No Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa poderemos conhecer melhor Ricardo Reis.

 

 

Clique para ver o vídeo

Como José Saramago encontrou Ricardo Reis e o levou para um romance - saiba porquê no artigo da RTP Ensina.


 

“Todos tivemos pai e mãe, mas somos filhos do acaso e da necessidade, seja o que for que esta frase signifique, pensou-a Ricardo Reis, ele que a explique. (…) Contas certas, no geral e em média, são  nove meses, tantos  quantos os que andámos na barriga das nossas mães, acho  que é por uma questão de equilíbrio, antes de nascermos  ainda não nos podem ver mas todos os dias pensam em nós,  depois de morrermos deixam de poder ver-nos e todos os dias nos  vão esquecendo um pouco, (…) Nenhum  vivo pode substituir um morto, Nenhum de nós é verdadeiramente vivo nem verdadeiramente morto, (…) os mortos  servem-se  dos caminhos  dos vivos, aliás  nem há outros, vim por aí fora  desde os Prazeres, como qualquer  mortal, subi  a escada, abri aquela porta, sentei-me neste sofá à sua espera, E ninguém deu pela entrada de um desconhecido, sim, que você é desconhecido. Essa é outra vantagem de estar morto, ninguém nos vê, querendo nós, Mas  eu vejo-o a si, Porque eu quero que me veja (…)”

in O Ano da Morte de Ricardo Reis, editora Caminho

 

 O ano da morte de Ricardo Reis

 

 

O João Botelho adaptou O Ano da Morte de Ricardo Reis ao cinema. O filme estreou em outubro de 2020.

Depois de 16 anos a viver no Brasil, Ricardo Reis chega a Lisboa, debaixo de chuvas torrenciais, no ano de 1935. Instala-se no Hotel Bragança, na Rua do Alecrim, a estadia em Portugal permite-lhe presenciar tempos negros para a Europa e, em  Portugal, os tempos dificeis  e amargos do Estado Novo. Uma visita  à  sepultura de Fernando Pessoa Pessoa (Ricardo Reis é, na realidade, uma personagem surgida da heteronímia de Pessoa) possibilitam-lhe muitas reflexões sobre a vida e o mundo.

 

Entrevista a João Botelho, na RTP sobre o lançamento do filme português - "Ano da Morte de Ricardo Reis" - em tempos de pandemia.

 

   

O Ano da Morte de Ricardo Reis - Trailer

 

 

“Lê Ricardo Reis os jornais e acaba por impor a si mesmo o dever de preocupar-se um pouco. A Europa ferve, acaso, transbordará, não há um lugar onde o poeta possa descansar a cabeça. Os velhos é que andam excitados, e a tal ponto que resolveram fazer o sacrifício de comprar o jornal todos os dias, ora um, ora outro, para não terem de esperar pelo fim da tarde. Quando Ricardo Reis apareceu no jardim  a exercer a caridade habitual, puderam responder-lhe, com alvitez de pobre afinal mal agradecido, Já temos, e ruidosamente desdobraram  as folhas largas, com ostentação, assim mais uma vez se provando que não há que fiar na natureza humana.”

in O Ano da Morte de Ricardo Reis, editora Caminho

 

 

O ano da morte de Ricardo Reis - A Barraca

1936, O Ano da Morte de Ricardo Reis – adaptação teatral pela Barraca.

 

A companhia de teatro A Barraca, em 2016, levou ao palco O Ano da Morte de Ricardo Reis. A adaptação fica a cargo do encenador, actor e dramaturgo Hélder Costa, um dos membros fundadores do grupo de teatro A Barraca.

 

 

A Fundação José Saramago organizou, em Agosto de 2020, um passeio literário a partir de «O Ano da Morte de Ricardo Reis». O percurso, que inclui doze  pontos de interesse, percorre lugares e cenários do romance de José Saramago.

  

Percurso pedestre a partir de O Ano da Morte de Ricardo Reis

 

 

 Clique para ver o vídeo

 "Nada Fica de Nada. Nada Somos", um poema de Ricardo Reis, lido pelo músico Rui Reininho

 

 

Outros livros de José Saramago:

O homem duplicado A jangada de pedra Memorial do convento Ensaio sobre a cegueira

O conto da ilha desconhecida A maior flor do mundo O silêncio da água Último caderno de Lanzarote

  

Veja outros "Um Livro por Semana"

ENTRELER
Revista digital, anual, livre e gratuita, sobre leitura, escrita e literacias.