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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro… o mundo na cabeça.
12.junho.2021

 

Viagens

Prémio Internacional Man Booker 2018

Finalista do National Book Award 2018

 

«Viagens tem ecos de W. G. Sebald, Milan Kundera, Danilo Kiš e Dubravka Ugrešic, mas Tokarczuk domina um registo, rebelde e habilidoso, muito seu.»
The Guardian

 

  “Não há melhor companheiros de viagens nestes tempos turbulentos e carregados de fanatismo”
The Guardian

 

Em 2019, Olga Tokarczuk foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida»

 

“O coração de Chopin é secretamente levado de volta para Varsóvia pela sua irmã; uma mulher vê-se obrigada a regressar à Polónia para envenenar o seu primeiro amor, moribundo numa cama; um homem começa a enlouquecer quando a mulher e o filho desaparecem misteriosamente, apenas para, do mesmo modo, reaparecerem subitamente - através destas e outras histórias e personagens, brilhantemente relatadas ou simplesmente imaginadas, Viagens explora, ao longo dos séculos, o significado de se ser um viajante, um corpo em movimento, não apenas através do espaço, mas também do tempo.

De onde provimos? Para onde vamos ou regressamos?

Fascinante, intrigante e de uma originalidade rara, este livro é uma resposta sublime a todas estas questões, uma teia de reflexões que entretece ficção, memória e ciência. Uma exploração profunda sobre o corpo humano, a vida que surge, a morte e o movimento, levando-nos ao âmago do próprio significado de humanidade.“

in Viagens (2019), ed. Cavalo de Ferro

                                   

  

Olga Tokarczuk

 

 

“Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.”

in Viagens

 

 

Olga Tokarczuk - Discurso na entrega do Prémio Nobel

 

“A literatura dos guias turísticos tem causado grandes estragos, é como uma invasão, uma epidemia. Os guias destruiram para sempre a maior  parte do planeta; publicados em milhões de exemplares, em diversas línguas, fragilizaram os lugares, alfinetando os seus nomes nos mapas, dando lhes rótulos e apagando-lhes os contornos.
E, na minha ingenuidade juvenil, também eu me dediquei a descrever lugares. Mais tarde, quando regressava em pensamento a esses lugares para respirar fundo o seu ar, imbuir-me novamente da sua intensa presença, escutar mais uma vez o som do seu burburinho, ficava em estado de choque. A verdade era terrível: descrever é destruir.
Por isso, é preciso ter muito cuidado. O melhor é não mencionar os nomes desses lugares, ser evasivo e indirecto, facultar os endereços com toda a cautela a fim de não incentivar as pessoas a fazerem peregrinações até esses lugares. O que haveriam de encontrar aí? Lugares mortos, muita poeira e caroços secos de maças.
No manual das síndromes, que mencionei, encontra-se a Síndrome de Paris, que afecta principalmente os turistas japoneses que visitam a Cidade das Luzes. Caracteriza-se por ser um choque emocional com vários sintomas físicos, tais como falta de ar, taquicardia, transpiração e excitação. Por vezes, ocorrem alucinações. Em casos como estes, prescrevem-se calmantes e aconselha-se o regresso a casa. Estes distúrbios são explicados pela disparidade das expectativas dos peregrinos: cidade de Paris à qual chegam em nada faz lembrar a cidade que conhecem dos guias turísticos, dos filmes e da televisão.”

in Viagens



Viagens



“Jasmim era uma simpática mulçulmana com quem, certa vez, conversei todo o serão. Falou-me do seu projecto – queria encorajar todas as pessoas do seu país a escrever livros. Dizia que não era preciso muito para escrever um livro – bastava algum tempo livre depois do trabalho, e nem sequer era preciso ter um computador. Acreditava na possibilidade de uma dessas pessoas destemidas poder vir a ser autor de um best seller e, nessa altura, o seu esforço seria recompensado com promoção social. É a melhor maneira de sair da pobreza, dizia ela. Se ao menos todos lessem os livros uns dos outros, suspirava. Chegou a criar um fórum na Internet e, ao que parece, já contava com centenas de seguidores.
Quanto a mim, muito me agrada a ideia de tratar o hábito da leitura de livros como um dever moral e fraterno, face ao próximo.”

in Viagens.



Viagens



“Cresci e evolui. No princípio, quando acordava em lugares estranhos, pensava que estava em casa. Somente após alguns instantes começava a reconhecer pormenores desconhecidos, revelados pela luz do dia. Os resposteiros pesados do hotel, o aparelho de televisão, a minha mala desfeita, as toalhas brancas dobradas com esmero. Um novo lugar emergia atrás do reposteiro, velado, misterioso, a maior parte das vezes, branco-sujo ou amarelado por causa dos lampiões das ruas.
Todavia, logo a seguir, entrei na fase que a Psicologia da Viagem designa como «Não sei onde estou». Acordava completamente desorientada. Tal como um alcoólico em transe, esforçava-me por recordar o que fizera no dia anterior, onde estivera, para onde me levaram os caminhos. Reconstruía detalhe após detalhe para reconhecer o aqui e o agora. E quando mais tempo precisava  para este procediemnto especial, maos entrava em pânico, um estado desagradável semelhante à doença do labirinto dos sistema vestibular, à perda do equilíbrio e à sensação de náuseas. C’os diabos, onde estou eu? Mas os detalhes do mundo são compassivos e acabavam por me guiar para o caminho certo. Estou em M. Estou em B. Isto é um hotel, aquilo é a casa da minha amiga, o quarto de hóspedes da familia N., o sofá na casa de uns conhecidos.
Acordar assim era como carimbar o bilhete para prosseguir viagem.
A próxima etapa é a terceira, segundo a Psicologia da Viagem, é a etapa da viagem-chave, da viagem-coroa, aquela que constitui a meta final. Para onde quer que viajemos, viajamos sempre em direção a ela. «Não importa onde estou» Onde estou – tanto faz. Estou.“

in Viagens.


 

A convite do Europe Directo Região de Coimbra, e no âmbito da Rede Intermunicipal de Bibliotecas Municipais da Região de Coimbra (RIB RC), a Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento de Condeixa-a-Nova, apresenta-nos, como sugestão de Leitura, o livro Viagens  de Olga Tokarczuk.


Viagens, de Olga Tokarczuk: filosofia nómada de deixar um local, uma história e partir sem preocupação é o título de artigo  disponível no blogue Comunidade,Cultura e Arte.

 

Olga Tokarczuk, uma escritora que trabalha a História sem confiar na realidade - leia o artigo na íntegra.

 

Ouça um excerto de Viagens pela voz de Filipa Martins

 

Clique para ouvir

 

 

Outros livros de Olga Tokarczuk:

Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos Outrora e outros tempos A alma perdida Les livres de Jakób

  

Veja outros "Um Livro por Semana".

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